Alergia alimentar ou Intolerância Alimentar?

Alergia alimentar ou Intolerância Alimentar?

Alergia alimentar

A alergia alimentar é uma resposta inadequada do sistema imunitário após a exposição a uma substância estranha de alimentos, o alergénio. Quando o sistema imunitário reage de uma forma exagerada a este alergénio dá-se uma reação de hipersensibilidade. (Stallergenes Greer, 2015). As alergias alimentares, normalmente, surgem nas idades mais precoces, nos primeiros anos de vida. No entanto, a maioria destas alergias tende a desaparecer na adolescência e na idade adulta, embora uma minoria destas persista. (SAVAGE e JOHNS, 2015)

Prevalência e Fatores Risco

Alimentos responsáveis pelas reações alérgicas em crianças:
• Leite
• Ovos
• Trigo

Já nos adultos:
• Peixe
• Marisco e moluscos
• Amendoins e frutos de casca rija

Sintomas

As manifestações mais comuns da alergia alimentar ocorrem a nível gastrointestinal, respiratório, cutâneo e sistémico. As manifestações sistémicas são as mais graves, embora não ocorram com tanta frequência e são as que mais trazem preocupações para os médicos, pois pode ocorrer morte se não houver uma ação rápida.

Tipos de Reações

Existem dois tipos de reações relacionadas com as alergias alimentares:

As imediatas ocorrem poucos minutos após a ingestão do alimento, normalmente são mediadas por Imunoglobulinas E (IgE) e os sintomas mais comuns são o choque anafilático, urticária e angioedema.

As tardias, normalmente, não mediadas por IgE, podem ocorrer entre algumas horas a alguns dias após a ingestão do alimento e os sintomas são fadiga, falta de concentração, hiperatividade, insónia, asma, indigestão, cólicas, diarreia e inflamação e lesões na pele.

Existem três grandes grupos na alergia alimentar:

  • mediada por IgE, que se manifesta clinicamente por urticária, angioedema e anafilaxia;
  • mista, mediada por IgE e células (linfócitos e eosinófilos e respetivos mediadores) em que surge a dermatite atópica, gastroenterite e esofagite eosinofílica;
  • não mediada por IgE que está associada a enterocolite e doença celíaca.

Diagnóstico

  • análise da dieta diária e de todas as quantidades dos alimentos que fazem parte desta, utilizando questionários.
  • testes laboratoriais como testes cutâneos, o prick-test, altamente específico e sensível.
  • o doseamento de IgE específica sérica, no entanto, a partir de um elevado valor de IgE, raramente, se faz um diagnóstico correto, portanto, os resultados devem ser interpretados com prudência. (TEUFEL et al., 2007)
  • testes de provocação oral (TPO) em que o indivíduo ingere uma grande quantidade do alimento suspeito. (CARRAPATOSO e MATOS, 2012)

Dois terços dos sintomas descritos pelas crianças e mais de 90% pelos adultos não resultam de reações imunológicas. É, por isso, importante fazer um correto diagnóstico que seja preciso e específico para um posterior tratamento eficaz desta patologia, evitando assim restrições de alimentos sem a adequada substituição por alimentos alternativos, que podem levar à deficiência nutricional e ao atraso no crescimento das crianças.

Intolerância Alimentar

É uma reação adversa ao alimento em que o sistema imunitário não se encontra envolvido. Este tipo de reação deve-se a alterações ou distúrbios do metabolismo de algum ou alguns componentes do alimento. Não apresenta sintomas tão graves como a alergia alimentar e cada tipo de intolerância tem as suas características individuais, tanto no mecanismo de ação, como nos sintomas, diagnóstico e tratamento.

Intolerância à Lactose

A intolerância à lactose é cada vez mais prevalente em todo o mundo. Aproximadamente, 75% da população mundial deixa de digerir adequadamente a lactose em alguma altura da vida, enquanto que 25% continua com esta capacidade sem significativas alterações.

Diagnosticar a Intolerância à Lactose

Muitas vezes, é suficiente um período de teste com uma dieta isenta de lactose, verificando assim, se os sintomas desaparecem ou não. No entanto, há situações em que é necessário fazer exames para confirmar o diagnóstico:

  • Teste de tolerância à lactose (LTT);
  • Teste respiratório de hidrogénio;
  • Deteção da atividade da lactase (biopsia do jejuno);
  • Teste genético.

Intolerância ao glúten (Não Celíaca)

O glúten é um conjunto de proteínas que são constituídas por gliadinas (proteínas monoméricas, solúveis em soluções aquosas alcoólicas) e gluteninas. O glúten faz parte da constituição do endosperma do grão de alguns cereais. Apesar do consumo do trigo e de outros cereais ter um papel fundamental na história da humanidade, cada vez mais os seus componentes, como é o caso do glúten, estão associados a diversas patologias, tais como: alergia ao trigo, doença celíaca e intolerância ao glúten não celíaca (IGNC). (ELLI et al., 2015)

Sintomas da Intolerância ao Glúten (Não Celíaca)

A IGNC caracteriza-se por sintomas intestinais, tais como:

  • Dores abdominais;
  • Diarreia;
  • Náuseas;
  • Flatulência.

E extra-intestinais, como:

  • Dores de cabeça;
  • Dores nos músculos e articulações;
  • Fadiga crónica;
  • Foggy mind;
  • Anemia;
  • Dificuldades de concentração e depressão.

Diagnóstico

Atualmente, não há testes laboratoriais específicos para detetar esta patologia. O diagnóstico da IGNC é bastante complexo, acabando por ser confirmado a partir de resultados negativos no diagnóstico da doença celíaca ou da alergia alimentar. Normalmente, os sintomas relacionados com a IGNC surgem algumas horas ou dias após a ingestão de glúten, enquanto que, por exemplo, na alergia ao trigo os sintomas surgem até 2h depois. (CZAJA-BULSA, 2015).

A confirmação do diagnóstico da IGNC ocorre quando os testes serológicos são negativos para a alergia ao trigo e para a doença celíaca, quando, a nível histopatológico, o intestino não apresenta lesões significativas e quando os sintomas desaparecem com uma dieta isenta glúten. (ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE CELÍACOS; NIJEOBER et al., 2014; CZAJA-BULSA, 2015; ELLI et al., 2015; TOVOLI et al., 2015).

Conclusão

Cada uma destas condições tem mecanismos de ação, sintomas, testes de diagnóstico, tratamento e faixas etárias diferentes, sendo que as alergias têm uma maior incidência nas crianças e as intolerâncias atingem outras idades. A saúde de pessoas com estes tipos de sensibilidade exige diversos cuidados com a alimentação, nomeadamente à composição de cada alimento que é consumido. É neste sentido que a legislação sobre rotulagem relativamente a substâncias responsáveis por alergias ou intolerâncias e o seu cumprimento se tornou fulcral para a defesa da saúde.

Análises das Clínicas Nuno Mendes

S/Básico+ que analisa 88 alimentos da dieta mediterrânea
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